Estudo da CNM mostra avanços na qualidade das informações contábeis, mas alerta para desigualdades entre Municípios
Estudo da CNM mostra avanços na qualidade das informações contábeis, mas alerta para desigualdades entre Municípios
Cerca de 54% dos Municípios foram classificados nas faixas A e B no Ranking da Qualidade da Informação Contábil e Fiscal 2024, elaborado pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN). No entanto, no mesmo ranking, Estados do Norte e Nordeste concentram grande número de Municípios com notas C, D e E. Diante desse cenário, a Confederação Nacional de Municípios (CNM) elaborou estudo para analisar o desempenho dos Entes locais.\nDenominado “Entre Indicadores e Realidades: o que o Ranking da STN revela (ou oculta) sobre os Municípios”, o estudo da entidade reforça a falta de estrutura técnica, carência de profissionais qualificados e limitações tecnológicas que ainda comprometem a qualidade das informações contábeis.\nA CNM reconhece o papel positivo da iniciativa da STN em estimular boas práticas e fortalecer a contabilidade pública municipal. Porém, o levantamento também alerta para desigualdades persistentes entre as regiões brasileiras. “A CNM entende que o ranking é um instrumento importante de indução de boas práticas, mas não deve se limitar à verificação formal de conformidade. É preciso avançar para medir a real qualidade e utilidade social das informações contábeis municipais”, avalia o presidente da Confederação, Paulo Ziulkoski.\nO que revela o ranking\nO estudo da CNM destaca o conjunto dos Municípios do Estado do Espírito Santo (ES), que alcançaram quase 68% de seus Municípios na nota A. Outro destaque ficou para os Estados do Sul e Sudeste, que apresentaram forte concentração de Municípios nas faixas A e B. Esses casos demonstram que o fortalecimento institucional, a capacitação das equipes de contabilidade e a integração de sistemas podem resultar em um ciclo virtuoso de qualidade da informação contábil e fiscal.\nOs Municípios de São Paulo também foram bem e apresentaram forte desempenho (18% em A e 62% em B), com baixa incidência de notas D e E. Também Sergipe chama atenção para os 81% com notas B, embora com poucos Municípios em A, o que sugere regularidade, mas não excelência.\nObservações preocupantes\nEm contrapartida, observações preocupantes e nada positivas ficaram por conta dos Municípios de Estados como Maranhão, Alagoas, Pará e Roraima, que infelizmente ainda enfrentam desafios significativos, com grande proporção de Municípios classificados em D e E. O caso do Rio de Janeiro também chama atenção, pois nenhum Município alcançou a nota A e quase um quarto foi classificado na faixa E, evidenciando fragilidades estruturais e de governança na gestão das informações.\nNesse contexto é preciso reconhecer que o Ranking privilegia a conformidade formal com manuais e instruções do Tesouro Nacional, o que não necessariamente reflete a qualidade substancial da informação em termos de clareza, utilidade e capacidade de orientar decisões de gestão.\n“A qualidade da informação contábil e fiscal deve ser entendida como a capacidade de retratar com fidedignidade a realidade financeira e patrimonial dos Municípios, servindo de base para políticas públicas e para o controle social. Assim, os resultados reforçam a necessidade de maior investimento em capacitação de equipes locais, fortalecimento dos órgãos de contabilidade e controle interno municipal e ampliação do apoio técnico da União, de forma a garantir não apenas melhores posições no Ranking, mas efetiva melhoria na qualidade e na utilidade da informação pública. Por isso, a CNM defende que o debate sobre qualidade da informação vá além da métrica de conformidade, incorporando a perspectiva da gestão municipal e da utilidade social dos dados”, conclui Ziulkoski.\n



Aguarde...