Lei cria Comitê Gestor do IBS e define regras do imposto criado pela reforma tributária

Lei cria Comitê Gestor do IBS e define regras do imposto criado pela reforma tributária

Sancionada na terça-feira (13) pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, com vetos pontuais, a norma consolida a estrutura necessária para colocar em prática as mudanças instituídas pela reforma.\nO texto foi publicado na edição desta quarta-feira (14) do Diário Oficial da União (DOU).\nAo aprovar a proposta, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que a regulamentação garante ao Brasil um sistema tributário \menos burocrático, mais simplificado, que irá trazer mais eficiência\.\nComitê gestor\nA lei cria o Comitê Gestor do IBS, órgão responsável por gerir e coordenar operacionalmente o novo imposto, que será compartilhado entre estados, Distrito Federal e municípios.\nO IBS vai substituir o ICMS (estadual) e o ISS (municipal).\nAdministração integrada\nPela nova lei, o comitê gestor terá caráter técnico e atuação nacional, com sede no Distrito Federal.\nO órgão será responsável por editar regulamento único do imposto, coordenar a arrecadação, administrar o contencioso administrativo e distribuir automaticamente os recursos arrecadados entre os entes federativos.\nA governança do comitê será compartilhada entre estados e municípios, com um conselho superior composto por representantes das duas esferas.\nAs decisões exigirão maioria qualificada, o que busca equilibrar interesses regionais e fortalecer a cooperação federativa.\nFiscalização\nO texto também define regras claras para fiscalização, cobrança e julgamento administrativo, a fim de evitar sobreposição de competências e disputas entre os entes.\nA administração do IBS passa a ocorrer de forma coordenada, com sistemas integrados e padronização de procedimentos.\nVetos presidenciais\nO presidente Lula vetou trechos do projeto que, segundo ele, contrariam o interesse público e trazem insegurança jurídica.\nFiscos estaduais e municipais\nEntre os trechos vetados está o que mantinha as competências administrativas dos fiscos estaduais e municipais com base em leis vigentes em 2023.\nSegundo o governo, a regra poderia congelar atribuições no tempo, ferir a Constituição e limitar a autonomia dos entes federativos para atualizar a legislação.\nImposto sobre tramissão de bens\nTambém foi vetada a possibilidade de antecipação opcional do pagamento do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) antes do registro do imóvel.\nDe acordo com o Executivo, a medida poderia gerar insegurança jurídica na cobrança do imposto.\nFutebol, programas de fidelidade, gás encanado\nOutros vetos alcançaram pontos que tratavam de benefícios tributários para sociedades anônimas de futebol, programas de fidelidade no setor aéreo, regras sobre gás canalizado para famílias de baixa renda e a inclusão de determinados produtos na lista de bens com tributação favorecida.\nEm todos os casos, o governo apontou risco de aumento de gastos tributários, prejuízo à política social ou afronta a regras constitucionais e fiscais.\nOs vetos serão analisados pelo Congresso Nacional, em sessão conjunta de deputados e senadores. Os parlamentares poderão manter ou derrubar o veto.\nTransição e período de adaptação\nA reforma tributária simplifica o sistema tributário nacional sobre o consumo, substituindo diversos tributos em vigor atualmente por um imposto de valor agregado — o IVA, que inclui o IBS e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços, que substituirá PIS, Cofins e IPI, todos federais).\nAlém deles, é criado o Imposto Seletivo, que vai incidir sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.\nO objetivo é substituir o atual modelo fragmentado por um sistema único, com regras padronizadas, maior transparência e redução da burocracia para contribuintes e gestores públicos.\nRegras já valem\nO primeiro dia de 2026 marcou o início das obrigações para as empresas com a expectativa de mais justiça na cobrança de impostos. Desde o dia 1º de janeiro, os contribuintes dos novos impostos devem emitir notas fiscais que destaquem os valores correspondentes à CBS e ao IBS.\nNo caso específico da Nota Fiscal de Serviços eletrônica (NFS-e), o destaque será inicialmente facultativo. As exigências não atingem empresas do Simples Nacional.\nJustiça social e redução de custos\nOutro eixo da reforma tributária é a busca por maior justiça social. A legislação mantém a isenção da cesta básica nacional e prevê mecanismos de devolução de tributos para famílias de baixa renda, como forma de reduzir o peso dos impostos sobre o consumo.\n\nDa Agência Senado\nEdição - ND\nFonte: Agência Câmara de Notícias
  • 14/01/2026